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Atual presidente da ANPET no biênio 2025–2026, Flávio Cunto é engenheiro civil formado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), em 1993. Começou a carreira na construção rodoviária, trabalhando durante quatro anos em obras no interior do Ceará. Foi ali que nasceu a vocação para a engenharia de transportes e a decisão de se especializar: em 1996, iniciou o mestrado na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC/USP).

 

Concluído o mestrado, em 1998, voltou a Fortaleza para atuar na engenharia de tráfego da prefeitura, no órgão gestor de trânsito da cidade. Foi nesse período que a segurança no trânsito se tornou seu principal objeto de pesquisa, tema ao qual se dedica até hoje.

 

Em 2004, partiu para o doutorado na Universidade de Waterloo, no Canadá, sob orientação do professor Frank Saccomanno. Pesquisou então segurança viária a partir de abordagens alternativas aos métodos tradicionais, baseados apenas em registros de sinistros. "Orgulho-me de ter feito o que eles chamam de doutorado pleno no exterior, com a bolsa completa do CNPq", conta. De volta ao Brasil no fim de 2008, ingressou no ano seguinte como professor em regime de dedicação exclusiva na UFC, consolidando sua trajetória como pesquisador.

 

O primeiro encontro com a ANPET

O contato inicial com o congresso aconteceu ainda no período em que escolhia onde faria o mestrado, na edição realizada em São Carlos, que ficou conhecida como a "ANPET da tenda de circo", por conta de uma tenda montada no pátio da EESC. "Para um estudante, os pesquisadores são como ídolos naquela área. Foi uma experiência espetacular estar pertinho daquele grupo", recorda.

 

O envolvimento mais intenso com a associação começou em 2009. Naquele congresso, Cunto se aproximou das professoras Maria Alice Prudêncio Jacques (UnB), Christine Tessele Nodari (UFRGS) e Heloísa Barbosa (UFMG), com quem formou uma rede de pesquisa para desenvolver funções de desempenho de segurança viária para rodovias brasileiras. "Foi um momento muito gratificante encontrar aquelas professoras e elas toparem formar um grupo para trabalharmos juntos", lembra.

 

Da coordenação temática à diretoria executiva

A convite de Maria Alice, então coordenadora temática da área de Tráfego Urbano e Rodoviário, Cunto assumiu a função de coordenador adjunto e, dois anos depois, tornou-se coordenador temático da área. Em 2015, durante o segundo mandato do professor Márcio D'Agosto, passou a integrar a diretoria científica, função que manteve na primeira gestão da professora Helena Cybis.

 

Após seguir na diretoria durante a segunda gestão de Cybis e colaborar com a área de Tráfego Urbano e Rodoviário na gestão de Maria Leonor Alves Maia, Cunto foi convidado, em 2023, por Cira Pitombo para assumir a diretoria executiva. "É uma diretoria discreta, mas vital para o congresso e para a associação", define. Segundo ele, a experiência somou-se às anteriores e proporcionou uma visão mais abrangente da ANPET, da comunidade científica ao dia a dia administrativo.

 

Uma gestão para pensar no futuro

Com a decisão de Pitombo de não concorrer a um segundo mandato, Cunto foi eleito presidente para o biênio 2025–2026, à frente de uma chapa construída para ser diversa em termos de distribuição geográfica, gênero e idade. Ele destaca que recebeu uma associação com processos administrativos consolidados e situação financeira sustentável. "Foi um cenário que me motivou, porque eu poderia pensar mais no futuro do que simplesmente tratar problemas emergenciais da associação", afirma.

 

Entre as mudanças da gestão, está a criação de diretorias com missões específicas: Comunicação, Inovação, Equidade, Diversidade e Inclusão, Relações Institucionais e Integridade Acadêmica. Ligadas à diretoria de Equidade, Diversidade e Inclusão, estão a consolidação da política de incentivo à participação de estudantes e a continuidade do Espaço Kids, criado no congresso de 2024 para acolher pesquisadoras mães.

 

Na diretoria de Comunicação, sob a condução de Cassiano Isler, a associação revisou suas práticas e passou a contar, desde 2025, com a Strada Comunicação, em um movimento para profissionalizar o diálogo com seu público.

 

No campo científico, a ANPET adotou um novo sistema de submissões, que integra a gestão do congresso das inscrições à emissão de certificados, e redefiniu as áreas temáticas para tornar o evento mais inclusivo em relação aos modos de transporte. Já a Revista Transportes ganhou um site remodelado e teve propostas de indexação submetidas à Web of Science e à Scopus. "A indexação vai nos levar a  outro patamar", avalia.

 

Uma associação madura

Para o presidente, a ANPET vive hoje um estágio de maturidade, com o desafio de fortalecer ainda mais a conexão com o setor público e a indústria. Ele também chama atenção para as transformações trazidas pela inteligência artificial. "A gente precisa estar muito atento às mudanças que virão nos próximos anos em relação à pesquisa, à divulgação da pesquisa e à integridade acadêmica", alerta.

 

Assista à entrevista completa: